terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ética e Serviço Social - Fundamentos Ontológicos

    Na nossa última aula trabalhamos com alguns conceitos extraídos do livro que entitula esta postagem, "Ética e Serviço Social - Fundamentos Ontológicos", da autora Maria Lúcia Silva Barroco. Trago abaixo alguns trechos do livro juntamente com conceitos trabalhados em aula.
      Para a corrente teórica marxista utilizada pela autora, há uma relação ontológica entre trabalho e ética, ou seja, para que a ética exista é necessário que primeiramente o homem possa atingir sua plenitude de desenvolvimento (ou "riqueza humana", segundo trecho da obra de Marx utilizado pela autora na página 33) através do trabalho, sendo este desenvolvimento entendido como "a explicitação absoluta de suas faculdades criativas", sendo expresso através "dos carecimentos, das capacidades, das fruições, das forças produtivas, etc."
     Esta relação entre ética, trabalho e também liberdade, que segundo a autora se origina do trabalho, está presente durante todo o texto e na compreensão que a autora tem dos conceitos de ética e moral: “...a gênese da ação ética é dada pela liberdade, compreendida ontologicamente como uma capacidade humana inerente ao trabalho, tomado como práxis... o trabalho põe em movimento as capacidades essenciais do gênero: a sociabilidade, a consciência, a universalidade e a liberdade."
      Para a realização do trabalho, é necessário o conhecimento e determinado nível de consciência coletiva; a mediação entre este nível mais abstrato e a prática é a chamada práxis, que pode ser definida também como um trabalho tendo determinada finalidade, ou seja, um fazer planejado que produz transformação. Segundo a autora, "no processo de objetivação dessa práxis, ocorre, também, uma valoração da natureza, do sujeito, do produto de seu trabalho; isto cria alternativas e possibilita escolhas entre elas. As escolhas e alternativas propiciam novas perguntas e respostas que configuram as varias formas de expressão da cultura... O desenvolvimento da sociabilidade instituiu novas necessidades, dentre elas a moral...”
     Segudno Velazques (citação trazida pela professora em aula), “a moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mutuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade. Estas normas, de caráter histórico e social, devem ser acatadas livre e conscientemente, por uma convicção intima e não de maneira mecânica e impessoal”. Ou seja, é uma imposição da sociedade sobre os indivíduos, sendo que estes não tem consciência desta imposição pois tratam-se de valores profundamente introjetados por eles.
    Estes valores variam conforme o grupo social e o período histórico do qual estamos falando: "Não são apenas os costumes que variam, mas também os valores que os acompanham, as próprias normas concretas, os próprios ideais, a própria sabedoria, de um povo a outro. Não seria exagerado dizer que o esforço de teorização no campo da ética se debate com o problemas da variação de costumes... uma boa teoria ética deveria atender a pretencao de universalidade, ainda que simultaneamente capaz de explicar as variações de comportamento, características das diferentes formações culturais e históricas."
    A ética vai além da moral, analisando-a, pois "a ética... como uma reflexão histórica, critica, radical de totalidade, que tem por natureza apreender o significado e os fundamentos da moral (enquanto dimensão da vida social regida por normas, deveres, princípios e valores referidos ao que socialmente é considerado bom ou mau), indagando sobre a relação entre moral e liberdade, valor ético fundamental...”

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